Manifesto : Para Autista

Design, empatia e autismo: um caminho que escolhi seguir

Nem todo mundo vive o mundo da mesma forma e é justamente isso que o torna tão diverso e rico.
Há muitos anos, o autismo me desperta uma admiração profunda e sincera. Mesmo não sendo autista, nem tendo um familiar no espectro, essa causa me toca de um jeito difícil de explicar, mas impossível de ignorar.

Quando eu era adolescente, fui convidada para ser monitora de uma turma de iniciação musical para crianças autistas. Minha função era simples: preparar a sala, ajudar os professores, conversar com os pais. Mas ver de perto o cuidado, a dedicação e a alegria por cada pequena conquista foi uma bela e muito marcante experiência na minha vida. Os pequenos passos, alcançados com muito suor e, por isso mesmo, cheios de significado, me mostraram que progresso não é velocidade, é consistência.

Mais tarde, no meu mestrado em Design, tive a oportunidade de cocriar com artesãos. Uma das participantes era mãe de um menino autista. Ela criava brinquedos pensados especialmente para o filho, com tanto amor e engenhosidade, que mais uma vez me marcou profundamente. Foi ali que percebi o quanto o design, que conecta forma, função e emoção, poderia ser uma ferramenta poderosa para apoiar pessoas autistas e suas famílias.

Decidi, então, seguir essa direção no doutorado, pesquisando produtos e experiências voltadas ao público autista. Apesar de não ter concluído o projeto, essa vivência consolidou em mim algo maior do que um título acadêmico: a certeza de que quero contribuir de forma prática, humana e sensível para melhorar a vida dessa comunidade.

Hoje, continuo nesse caminho com o que sei e tenho: Sou designer, e quero explorar as possibilidades de unir design e neurodiversidade, com o objetivo de aumentar a conscientização, criar materiais realmente úteis e promover diálogos entre profissionais, familiares e pessoas autistas.

O primeiro passo dessa trajetória serão os Guias Visuais (a serem lançados em breve).
Um começo simples, mas cheio de intenção: transformar rotinas em experiências mais tranquilas, acessíveis e compreensíveis.

Não sou autista e reconheço o lugar de quem fala de fora.
Talvez por isso mesmo, sinto ainda mais vontade de estar perto: ouvir, aprender, compreender com o olhar de quem vive essa experiência todos os dias.
Quero que esse caminho seja construído em diálogo, me dedicando a ter uma postura de respeito e escuta ativa, para que cada passo seja de troca e evolução mútua, para a comunidade de autismo; para este novo negócio; para mim, como pessoa e como designer; e para a sociedade como um todo.

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